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Hidrelétrica das Três Gargantas: conheça a maior usina do mundo

Localizada no rio Yangtzé, na província de Hubei, na China, a Usina Hidrelétrica de Três Gargantas é uma das maiores obras de infraestrutura já construídas. 

Com 22,5 GW de capacidade instalada, ocupa o primeiro lugar mundial nesse quesito e ajuda a dimensionar o potencial da água como fonte de energia.

Sua importância, porém, vai além da eletricidade. O empreendimento foi concebido para auxiliar no controle das cheias do Yangtzé, melhorar a navegação, apoiar o desenvolvimento econômico e ampliar a segurança energética da China.

Toda essa grandiosidade também trouxe consequências. A formação do reservatório exigiu o reassentamento de mais de um milhão de pessoas e alterou cidades, ecossistemas, habitats e a dinâmica de sedimentos do rio.

Conhecer a história de Três Gargantas, portanto, não significa observar apenas seus recordes.

É também compreender um pouco mais a fundo o desafio energético que a humanidade enfrenta.

Uma ideia centenária

A possibilidade de construir uma grande barragem no rio Yangtzé começou a ser discutida muito antes do início das obras. 

Em 1918, Sun Yat-sen, um dos principais nomes da formação da China moderna, apresentou uma proposta de aproveitamento hidrelétrico na região das Três Gargantas.

Durante as décadas seguintes, diferentes estudos avaliaram a viabilidade do projeto. O desafio era responder a problemas históricos, como as cheias do Yangtzé, ao mesmo tempo que o crescimento econômico chinês aumentava a demanda por eletricidade e infraestrutura de transporte.

O projeto recebeu aprovação formal em 1992. As obras começaram oficialmente em dezembro de 1994 e, em 1997, ocorreu o fechamento do rio para o avanço da construção.

Em 2003, o reservatório começou a ser preenchido, as eclusas entraram em operação e as primeiras unidades geradoras foram conectadas à rede. 

Em julho de 2012, todas as 32 unidades principais estavam em funcionamento. O processo de avaliação e aceitação final do empreendimento foi concluído em 2020.

A cronologia oficial da China Three Gorges Corporation, responsável pelo projeto, revela que Três Gargantas atravessou mais de um século entre a ideia inicial e sua operação completa.

Os números de Três Gargantas

A capacidade instalada total da usina é de 22,5 GW, ou 22.500 MW. Sua estrutura de geração reúne 32 unidades principais de 700 MW e duas unidades auxiliares de 50 MW.

A barragem de concreto possui aproximadamente 2,3 quilômetros de extensão e chega a 181 metros de altura. O reservatório formado pelo empreendimento prolonga-se por centenas de quilômetros ao longo do Yangtzé.

Esses números ajudam a explicar sua posição no ranking mundial, mas é importante entender o significado de capacidade instalada.

A potência de 22,5 GW representa o máximo que o conjunto de equipamentos pode entregar em determinadas condições. 

Ela não significa que a usina produza essa quantidade de energia continuamente. 

A geração efetiva varia de acordo com a vazão do rio, o nível do reservatório, a demanda do sistema elétrico, a manutenção dos equipamentos e outras condições operacionais.

Em 2020, Três Gargantas produziu aproximadamente 111,8 TWh e estabeleceu um recorde mundial de geração anual para uma única hidrelétrica. 

Em agosto de 2025, a produção acumulada desde o início da operação havia superado 1,8 trilhão de kWh, segundo a operadora do empreendimento.

Muito mais do que geração de energia

Embora seja conhecida principalmente por sua capacidade de geração, Três Gargantas foi planejada como um projeto de usos múltiplos.

Um dos objetivos centrais é auxiliar no controle das cheias do Yangtzé. 

O rio atravessa regiões densamente povoadas e economicamente importantes, historicamente afetadas por inundações. 

O reservatório permite reter parte da água em períodos críticos e administrar sua liberação.

A obra também transformou a navegação. Um sistema de eclusas possibilita que embarcações superem a diferença de nível criada pela barragem. 

Com isso, navios maiores passaram a alcançar regiões do interior, fortalecendo o transporte de pessoas e mercadorias pelo rio.

Na geração de energia, Três Gargantas passou a integrar um sistema que abastece diferentes áreas da China. 

A hidreletricidade fornece energia em larga escala sem depender da queima direta de combustíveis fósseis durante a geração.

Há ainda funções relacionadas ao armazenamento e à administração dos recursos hídricos. 

Dessa forma, a usina combina geração elétrica, proteção contra cheias, logística fluvial e gestão da água.

Os impactos sociais e ambientais

A escala de Três Gargantas também produziu algumas cicatrizes. 

A formação do reservatório inundou cidades, vilas, áreas agrícolas e sítios históricos. 

Mais de um milhão de pessoas precisaram ser reassentadas, em um dos maiores processos de deslocamento populacional associados a uma obra de infraestrutura.

Essa mudança envolveu muito mais do que a transferência física de moradores. 

Comunidades tiveram de reconstruir relações econômicas, sociais e culturais em novos locais. 

A dimensão do reassentamento permanece como um dos pontos mais discutidos do projeto.

No meio ambiente, a barragem modificou a dinâmica natural do Yangtzé. A transformação de um trecho do rio em reservatório alterou habitats terrestres e aquáticos, afetando espécies e processos ecológicos.

A retenção de sedimentos é outro efeito relevante. Parte dos materiais que antes seguia pelo rio passou a se acumular no reservatório. 

Uma análise publicada na revista Earth-Science Reviews identificou mudanças significativas no transporte de sedimentos e processos de erosão a jusante da barragem.

Também existem preocupações relacionadas à qualidade da água, à biodiversidade, à estabilidade das encostas e aos riscos geológicos nas margens do reservatório. 

Por isso, os efeitos do projeto continuam sendo estudados e monitorados décadas depois do início da operação.

Como ela se compara a outras grandes hidrelétricas?

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Três Gargantas lidera o ranking mundial de capacidade instalada, seguida por outras grandes usinas chinesas e brasileiras.

UsinaLocalizaçãoCapacidade instalada
Três GargantasChina22,5 GW
BaihetanChina16 GW
ItaipuBrasil e Paraguai14 GW
XiluoduChina13,86 GW
Belo MonteBrasilaproximadamente 11,23 GW

A comparação mais frequente ocorre com Itaipu. A usina binacional possui capacidade menor, mas apresenta um histórico excepcional de produtividade graças às características do rio Paraná e à regularidade de sua operação.

Em 2016, Itaipu atingiu sua maior produção anual, com aproximadamente 103,1 TWh. Três Gargantas superou esse resultado em 2020, ao gerar cerca de 111,8 TWh. Os números são apresentados pela própria Itaipu Binacional.

Essa comparação evidencia uma distinção importante. Capacidade instalada representa a potência máxima dos equipamentos. Geração anual mede quanto foi efetivamente produzido em determinado período. Já a geração acumulada soma toda a energia produzida ao longo dos anos.

Uma usina menor pode se aproximar ou até superar outra maior em alguns períodos, dependendo da disponibilidade de água, da eficiência, do regime do rio, da manutenção e das necessidades do sistema elétrico.

Da maior hidrelétrica do mundo às CGHs do Grupo GVS

Três Gargantas demonstra o potencial da geração hidrelétrica, mas também evidencia os desafios ambientais e sociais associados a empreendimentos de grande porte. 

No Brasil, as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) representam uma abordagem de menor escala para aproveitar a força da água.

Por terem estruturas menores, as CGHs geralmente demandam reservatórios e áreas alagadas mais reduzidos. 

Dependendo das características do projeto e do território, isso pode diminuir interferências na paisagem, nos habitats e nas comunidades próximas. 

Ainda assim, cada instalação exige estudos ambientais, licenciamento, respeito à vazão do curso d’água e monitoramento ao longo da operação.

As hidrelétricas constituem a principal fonte de geração do Grupo GVS, que possui empreendimentos distribuídos pelo país. 

A presença das CGHs em seu portfólio mostra como projetos de menor porte podem contribuir para uma matriz energética renovável, diversificada e mais integrada às características de cada região.

Conheça as usinas e as fontes de geração do Grupo GVS e veja como engenharia, gestão responsável e recursos naturais podem trabalhar juntos na geração de energia.

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